A alegria na maldade compartilhada

Nesta semana tive aquelas descobertas bobas, mas que nos deixam inexplicavelmente mais contentes.

No meio da aula de inglês, uma das meninas que eu me dou bem, fez um rápido comentário sobre uma outra que eu não suporto. Essa menina estava conversando com o mocinho bonitinho dos olhos verdes (que perdeu a grande parte da graça, mas é assunto para um outro tópico), e contando sobre a promoção que ela teve onde trabalha. E essa minha amiga soltou: “Enquanto todo mundo que chega não ouvir a história dela sobre isso, ela não ficará sossegada!”

Senti uma pontinha de veneno, e adorei, porque sempre tive uma antipatia por aquela menina! E ficava até me sentindo mal, porque ela é até simpática comigo. Mas sabe, simpática demais? Tenho um certo receio com pessoas assim, soa falso! E sempre tive dois pés atrás com ela. Meu santo nunca bateu.

Como voltamos parte do caminho juntas, no final, ainda pudemos, com ajuda de outra colega,  descer a lenha na compartilhar mais impressões que comprovavam que nossa aversão à fulaninha não era gratuita. Ela adora se aparecer, se acha e faz de tudo para ser sempre o centro das atenções; também é fútil, folgada e adora contar vantagem em cima dos outros.  Envolve toda a classe em problemas pessoais dela que, além de não ser tão grandes assim, não são da conta de ninguém, e ainda atrapalham o ritmo da aula.

Tendo a certeza que não era só eu que havia reparado que havia algo de errado com a garota, fiquei o resto da aula com aquele risinho nos lábios de quando algo realmente bom acontece. Acho que era a tal alegria na maldade compartilhada, quando eliminamos um pouco do peso da consciência e podemos ser críticas sem culpa! É como encontrar alguém que podemos rir das coisas politicamente incorretas – não é com todos que temos essa liberdade. Tem de haver uma cumplicidade, confiança,  e um senso de humor negro semelhante.

Talvez  essa felicidade venha da sensação de que não vamos para o inferno sozinhas!

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